DR. ANDRÉ MAIA DESTACA O PAPEL DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA OFTALMOLOGIA DURANTE SIMPÓSIO CIENTÍFICO DA FUNDAÇÃO ALTINO VENTURA
Atualizado: 6 de ago.
> O especialista revelou como o uso integrado de ferramentas digitais otimiza a rotina clínica e devolve o tempo de atenção humana ao consultório

A Inteligência Artificial (IA) tem se consolidado como uma ferramenta transformadora na medicina e na oftalmologia. Sua aplicação tem redefinido os paradigmas de diagnóstico e tratamento. Foi com base neste contexto que o médico oftalmologista, especialista em retina e vítreo, Prof. Dr. André Maia, ministrou uma palestra, no dia 04 de agosto, durante o Simpósio Científico que integra as celebrações do Jubileu de Rubi da Fundação Altino Ventura (FAV).

Em sua apresentação, intitulada “Da Imagem à Decisão: Inteligência Artificial na Prática Diária da Retina”, o Dr. Maia demonstrou como a integração de ferramentas digitais otimiza a rotina clínica. A palestra abordou a capacidade da IA em organizar dados, quantificar imagens e apoiar decisões clínicas com maior assertividade, um avanço crucial em uma área tão dependente de exames de imagem e precisão diagnóstica.
O evento reuniu o presidente do Conselho Curador e coordenador acadêmico da instituição, Prof. Dr. Marcelo Ventura; a presidente da FAV, Profa. Dra. Liana Ventura; o vice-presidente da Fundação, Dr. Marcelo Ventura Filho; a coordenadora do Departamento de Ensino, Profa. Dra. Bruna Ventura; e a coordenadora do Departamento de Investigação Científica, Profa. Dra. Camila Ventura. Médicos preceptores, fellows, residentes e especializandos também participaram do encontro, que teve transmissão online para outras unidades da FAV.
Com vasta experiência, que inclui mais de 13 mil cirurgias vitreorretinianas, doutorado pela Unifesp e fellowship pela McGill University (Canadá), o Dr. André enfatizou que um dos maiores desafios no acompanhamento de doenças retinianas crônicas é o volume massivo de informações. Históricos fragmentados, compostos por dezenas de exames de tomografia de coerência óptica (OCT), retinografias e registros de aplicações de medicamentos e cirurgias, dificultam a análise completa do quadro do paciente.

"Nosso problema não é falta de dados. É a fragmentação da história clínica", afirmou o Dr. André Maia. Para superar essa barreira, ele defende que a consulta médica deve começar antes mesmo da entrada do paciente na sala. Algoritmos avançados permitem compilar prontuários extensos, construir cronologias clínicas precisas e identificar dados ausentes em segundos, permitindo que o médico foque nas necessidades reais do paciente durante o atendimento.
O especialista ressaltou que a eficiência diagnóstica não reside em uma única ferramenta, mas na integração de diversas tecnologias com finalidades específicas. "Não utilizo uma única inteligência artificial. Emprego ferramentas distinctas para tarefas diferentes", explicou. Em seu ecossistema de trabalho, o Dr. Maia utiliza o RetinAI para quantificação de exames de imagem, modelos como o Claude para organizar e analisar a evolução do quadro, e o ChatGPT para auxiliar na estruturação de relatórios e comunicação. O ciclo se completa com a validação humana, etapa indispensável.
Embora a tecnologia proporcione ganhos expressivos em precisão e agilidade, o Dr. André Maia defende que o maior benefício da inteligência artificial é o resgate do fator humano na medicina. Ao automatizar tarefas repetitivas, como a estruturação da anamnese e a organização de achados, o médico ganha tempo valioso para escutar e examinar o paciente. "Menos tempo olhando para o teclado. Mais tempo olhando para o paciente", concluiu a palestra, reforçando que o raciocínio e a decisão final permanecem sob a responsabilidade do profissional de saúde.
“Tive a oportunidade de vivenciar, dentro do centro cirúrgico, casos vitreorretinianos de grande complexidade, acompanhado de minha fellow de Retina, Dra. Caroline Hilgert. Também foi uma honra ministrar sobre inteligência artificial aplicada à retina, demonstrando como essas ferramentas podem auxiliar na interpretação de exames, na documentação clínica e no apoio ao raciocínio médico, sempre associadas à supervisão humana e à responsabilidade do especialista. Meu agradecimento ao Dr. Marcelo Ventura, à Dra. Liana Ventura, ao Dr. Marcelo Ventura Filho, à Dra. Bruna Ventura, à Dra. Camila Ventura e a toda a equipe que me recebeu com tanto carinho”, declarou o Dr. Maia.

Ao final do simpósio, o Dr. Maia foi homenageado pela presidência da Fundação, expressando gratidão pela oportunidade de vivenciar o espírito da instituição e compartilhar conhecimentos sobre a aplicação da inteligência artificial em retina. O vice-presidente da FAV, Dr. Marcelo Ventura Filho, ressaltou a importância de temas relacionados à inovação e à tecnologia, reforçando o compromisso da Fundação tanto em atividades teóricas quanto práticas na assistência oftalmológica.

"Recebemos na Fundação Altino Ventura o ilustre Prof. Dr. André Maia, que compartilhou seu conhecimento e dedicou parte do seu tempo para trazer conhecimento à nossa equipe, tanto em atividades teóricas quanto práticas. Foram dois dias de imersão, de intenso aprendizado, e todos saímos maiores do que entramos graças à sua participação. Em nome do Departamento de Retina e da Fundação Altino Ventura, expressamos nosso sincero agradecimento", disse o Dr. Marcelo Ventura Filho.
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Editor-Chefe e Redação: Phelipe Cavalcante
Colaboração: Weriston Rodrigues
Fotos: Cristiana Dias
Diagramação: Ana Silva




